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O iPad é sexy, o Android não é, e o Kindle?

jose freitas 13 de Outubro de 2011

Era uma manhã quente de Julho de 1997. O Verão de Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos, estava puxado nesse ano. Maio tinha registrado 40 graus e naquela manhã estariam mais de 30 graus e ainda era bem cedo. A temperatura do ar era quase tão quente na sala de reuniões da administração da Apple. Se o ar condicionado estava ligado, quase não se notava.

Com a empresa à beira da falência, o CEO (chief executive office) Gil Amelio, que tinha chegado em 1994, decidiu que tinha chegado a hora de sair. Jim McCluney, ainda hoje na empresa, recorda que Amelio não perdeu tempo. “Bem, lamento informar que chegou a minha hora de seguir em frente. Fiquem bem”. E saiu. Assim mesmo. Em 10 segundos apresentou a demissão.

Alguns minutos depois entrou Steve Jobs. O homem tinha sido demitido, 12 anos antes, da empresa que ajudara a fundar. Tinha chegado em fevereiro, quando a Apple comprou a sua nova empresa NeXT Software, Inc., para o cargo de consultor.

Ali estava de novo, já não como consultor. Era o novo CEO. Chegou de shorts, ténis e barba de 3 ou 4 dias. Sentou-se e perguntou: “OK, digam-me o que está mal aqui”. Alguns administradores tentaram murmurar respostas mas foi Jobs que respondeu: “São os produtos! Portanto, o que têm de mal os produtos?” Novos murmúrios e nova resposta de Jobs: “Os produtos são uma porcaria. Já não há sexo neles!”.

Jobs a falar de sexo?

O que o homem queria dizer era que os produtos da Apple não tinha capacidade de atração, não tinha estilo, sensualidade, eram coisas feias e sem personalidade. E foi isso, o que Jobs veio trazer de novo à empresa.

Por entre alguns fracassos, foram muito mais importantes os êxitos. Com Steve Jobs, a Apple não fazia produtos, concebia produtos, não vendia computadores, vendia estatuto. Comprar um Mac não era comprar um computador, era comprar um Mac. O iPod não era um simples leitor de música, o iPhone não era um celular e o iPad não era um tablet. Era um iPad! Não eram apenas equipamentos de utilização. Eram objetos de design, peças de qualidade, mudavam o sentimento de vida dos proprietários.

Agora não há mais Steve Jobs, há Tim Cook. Não é, não será a mesma coisa. Também não será o fim da Apple. O rumo está traçado, o caminho definido para os próximos 3 ou 4 anos. A empresa está consolidada e tem argumentos para continuar no topo. Está chegando ao Brasil e assim poderá reforçar a capacidade de produção.

É que a concorrência está mais dinâmica. A Google quer, com o próximo sistema operacional, o Ice Cream Sandwich, fazer melhor que até aqui. O Android funciona, é interessante e é bonitinho mas não é bonitão como o sistema operacional da Apple, o iOS, que chegou agora na versão 5. A coisa não se vê apenas na velocidade, no funcionamento do aparelho, vê-se na segurança, nos aplicativos, na sua qualidade e na beleza. E quem é mais bonito? Quem é mais sexy? Claro, vê como sabe a resposta…

Claro que o Android domina. Já viu a quantidade de marcas de celular que o utilizam como sistema operacional? Mas a Google tem de fazer muito mais neste sector, porque senão deixará de ser a principal concorrente da Apple neste sector.

Amazon no pedaço

Algumas semanas atrás, a Amazon lançou 3 tablets de uma só vez, com destaque para o Kindle Fire. Todos com preço de salivar. Porque é que isto é tão importante para o mercado futuro dos tablets? Para já não é nada importante. Primeiro a Amazon tem de os colocar à venda nos Estados Unidos, e depois tem de os vender no resto do mundo. E quando isso acontecer, muita coisa puderá mudar. Sim, o iPad está no topo e por lá vai ficar nos próximos tempos (pelo menos até ao iPad 5).

Depois há os outros. E neste mercado, como em quase todos os mercados, o preço é fundamental. Sejamos honestos. O Kindle Fire não é apelativo em termos de hardware, longe disso. É barato. A Amazon tem prejuízo na venda do equipamento. Mas a Amazon não está preocupada. O que a Amazon quer é seguir o modelo de negócio da Apple. O Kindle Fire serve apenas para que os clientes comprem livros, aplicativos, jogos, filmes. O Fire, e os outros Kindle, é uma extensão da Amazon. É uma porta de entrada para os milhões de itens que a Amazon vende. Ah, e primeira reacção sobre o funcionamento do Kindle Fire (que roda um Android modificado): “é bonito”. É sexy.

E a Microsoft?

E a Microsoft, cara, onde fica no meio disso? A Microsoft tem de jogar tudo no Windows 8, o próximo sistema operacional, já pensado para monitores touchscreen, tablets e celulares. Se correr bem, está de novo na corrida e pode voltar a liderar um mercado que já perdeu, se correr mal, a coisa complica para Steve Balmer. Pode até mesmo ter de entrar no mercado dos fabricantes de computadores, algo que nunca quis.

Em 2001, a Microsoft de Bill Gates apresentou o primeiro tablet comercial, o Slate, que depois deixou cair. Em 2010, em Março, Steve Jobs lançou o iPad. Muitos disseram que teria o mesmo caminho, o mundo não estava preparado. Engano. Onde esteve a diferença? No sexo. O Slate era feio, lento, desnecessário. O iPad era bonito, rápido, funcional. E, evidente, não era um tablet, era o iPad, era da Apple. Não é preciso fazer um desenho, pois não?



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  1. Anónimo at - Reply
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